Cinema, o refúgio

Eu morei no interior quase a minha vida toda, lá as TVs só sintonizavam na Globo, então eu fiquei dos 5 aos 15 anos só assistindo a isso, assim, só assistia aos filmes que passavam na Globo, ou seja, dublados e cortados – mas ainda assim, sempre fui muito fã de filmes. Quase no final desse período, comprei um aparelho de DVD, mas onde eu morava não tinha onde comprar mídia, com isso, comprava quando viajava pra outra cidade e viva do empresta. Vim morar em BH aos 16 anos e começei a trabalhar na lan house do pai do meu primo, esse também é fã de cinema e logo virei frequentador assíduo das locadoras mais próximas, indo em ao menos uma delas toda sexta-feira e alugando pelo menos 3 dvds.

Contado o período das trevas de minha vida e como encontrei a luz posso continuar.

A primeira vez que eu fui ao cinema foi em 2007, para assistir As Férias de Mr. Bean. Foi em uma terça-feira a noite no shopping Delrey, sala 01, com meu primo e o pai dele. Eu sou muito ansioso e somente com  a ideia de ir eu já fiquei desesperado. Chegamos, compramos os ingressos, pipoca e fomos para a fila… os primeiros! Eu não consigo encontrar outra palavra para descrever como foi este evento em minha vida senão mágico. A espera na fila para o carinha conferir o ingresso, depois entrar naquela sala que para mim era enorme, olhar para aquela tela dominadora, poder escolher o meu lugar para fazer parte de um grupo de desconhecidos para assistir a um filme… foi simplesmente mágico!

Esta é a minha evolução até chegar ao cinema. Eu nunca conseguirei esquecer esta sensação porque todas as vezes, sem exceção, que eu vou ao cinema, eu sinto a mesma coisa, é como se eu estivesse indo pela primeira vez. Eu vou ao cinema com bastante gente, quem me chamar eu estou indo, mas somente algumas poucas destas pessoas sabem como eu sou paranoico para chegar cedo e ser um dos primeiros (isso pra não dizer o primeiro). Pois bem, não sei nem se eu devia falar isso, mas se você vai ao cinema comigo, não leve isso a mal, é somente que eu gosto de sentir aquela sensação, eu acho até que é TOC, mas não tenho certeza e sinceramente nem quero ter, porque gosto disso.

40 minutos para mim é o mínimo para se estar na fila, dependo da companhia eu ajo como se nada estivesse acontecendo, mas por dentro eu estou: Eu devia estar na fila. Eu devia estar na fila. Eu devia estar na fila. Hahahahaha.

A emoção de estar em uma sala de cinema é incomparável, o crítico brasileiro que eu mais gosto fez um videocast (colocarei no final) sobre a diferença de assistir um filme em casa e em um sala de cinema e fala tudo o que eu sempre achei. A tela maior que você, te dominando; você em uma posição confortável, mas confortável ideal para que você não durma; as saídas de som sempre ao lado, para você estar sempre mais perto do som… isso te faz sentir muito mais dentro do filme do que em casa. E eu ainda penso mais, a escuridão da sala de obrigando a manter o foco sempre na projeção. As logos, os avisos, comerciais e trailer começando enquanto você deixa tudo preparado para o evento, como colocar celular no silencioso, guardar objetos na mochila, abrir pacotes e coisas para comer, etc. E sobre o filme, quando as luzes vão se apagando, a logo dos estúdio que o produção vai aparecendo, o silêncio tomou conta… começou! E começou tudo, as especulações sobre a trama, as mastigadas, as pernas relaxadas em alguns casos, até a guerrinha de pipoca.

Se for um filme de ação: será que o mocinho vai conseguir alcançar seu objetivo no final? Terror: será que eles vão conseguir escapar? Romance: Será que eles vão ficar juntos no final?… eu acho isso lindo e espero que eu não seja a única pessoa a fazer isso! Mesmo sabendo da história, do filme, sabendo que é clichê… acho que fazer isso é muito importante para o aproveitamento total da experiência. Tem filmes que eu vejo várias e várias vezes na esperança de que o destino de suas personagens mude… é magnífico!

Conforme o título do post diz, cinema para mim é um refúgio, é onde todos sabem onde estou, mas ninguém pode me encontrar, me perturbar. Sempre que estou com a cabeça cheia, confuso, cansado de tudo, vou ao cinema e saio renovado! É um dos dois únicos lugares onde eu consigo realmente descansar minha mente, relaxar por completo e esquecer do mundo lá fora. A Lisbela (de Lisbela e o Prisioneiro – filme ruim, diga-se de passagem) fala algo parecido com essa sensação de ir ao cinema, bem no início do filme, quando ela vai ao cinema com o namorado.

E depois do filme… as luzes vão de acendendo, uma música que ainda faz parte e te remete ao filme vai tocando, os crédito finais vão subindo e como disse o Pablo Villaça mas que eu já pensava, você vai sendo retirado daquilo tudo, mas calmamente, como se tivesse te dizendo: Acabou, era ficção, volta pra vida real, mas continue pensando nisso!

Uma analogia que eu faço é que ao começar o filme você é afogado e quando começa os créditos finais você é retirado da água, desafogado! E sai, pensando no filme, xingando-o, elogiando-o, discutindo-o… e esperando pela próxima aventura!

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2 respostas em “Cinema, o refúgio

  1. Graçras aos irmãos Lumiére e da magia de George Méliès cá estamos exaltando a sétima arte, sendo contagiados por diversas emoções que vão desde a compra dos ingressos até sair da sala de cinema ao final do filme. É tudo um grande e fantástico ritual, e não há nada que tire a emoção de assistir um filme em uma sala de cinema.

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